• Post published:11 de maio de 2021

Militares Misma Fernandes e Dalva com seus filhos. Foto: ASCOM/CBMAC

Conciliar a missão da maternidade com ser bombeira militar não é tarefa fácil. Os serviços operacionais, as missões extras, revelam ainda mais a capacidade de cada mãe em sempre dar o melhor aos seus filhos.

Em alusão ao mês das mães, conheça a história de duas militares do Corpo de Bombeiros Militar do Acre e seus desafios diários com a missão da maternidade.

“SER MÃE É UM CONSTANTE APRENDIZADO, SÃO TEMPOS DIFERENTES”

Cadete Misma Fernandes e seus dois filhos. Foto: ASCOM/CBMAC

A Cadete Misma Fernandes, ingressou no Corpo de Bombeiros no ano de 2019, no Curso de Formação de Oficiais, e como muitas mães, não planejou ser mãe tão cedo. Aos 16 anos de idade, sem ter concluído o ensino médio, morando na casa dos pais, sem emprego, engravidou do Adryell Maximus, hoje com 15 anos, portador de necessidades especiais, diagnosticado com paralisia cerebral. Segundo a militar, um anjo que a família e amigos tem o privilégio de poder cuidar aqui na terra, muito esperto, carinhoso e apaixonante.  Mãe também da Sarah Guinevere, de 14 anos, dedicada, sensível aos problemas do mundo e responsável com seus estudos.

A militar relata que após 15 anos, ainda está em aprendizado, em relação a maternidade, são tempos diferentes. “Os dois são especiais para mim. São minha motivação, me fazem feliz, são os adolescentes mais lindos do mundo. A partir do nascimento deles, começou essa jornada que se chama “mãe”. Hoje, falar da minha trajetória como mãe me emociona e me orgulha, apesar dos erros no caminho, sempre em busca de acertar. Pois, eu tenho certeza que cada evento em minha vida, e isso logicamente inclui o nascimento dos meus filhos, aconteceu para me impulsionar, me fazer ser capaz. E nada nesse mundo é mais importante para mim que o bem-estar deles. ” Relata a cadete do Bombeiro.

“Em Relação a maternidade, ainda está em aprendizado, são tempos diferentes” – diz a militar. Foto: ASCOM/CBMAC

A Bombeira Militar, que está em rotina intensa de curso de formação e ainda com escalas de serviços operacionais, afirma que é um desafio diário, sempre está acompanhando toda a rotina dos filhos, ligando a todo momento para saber como estão, além do acompanhamento das atividades escolares e de saúde. “A maternidade me mudou como pessoa, me tornou uma pessoa melhor, se não fossem os dois “serezinhos” (como ela mesmo chama), não teria percorrido o caminho que trilhei até hoje, juntamente com meu esposo, sempre estamos em busca de uma vida melhor para os nossos filhos” – afirmou a militar.

“MEUS FILHOS ME REALIZAM COMO MÃE, UM AMOR INCOMPARÁVEL E IMENSURÁVEL”

Cabo BM Dalva e seus dois filhos. Foto: ASCOM/CBMAC.

A Cabo Dalva do Corpo de Bombeiros Militar em Tarauacá, ingressou na corporação no ano de 2013,  como a maioria das mães, tem uma trajetória com seus altos e baixos. Aos 24 anos engravidou do seu primeiro filho, recém-casada teve que dividir a vida em ser professora, esposa e mãe do Lauro Filho, hoje com 16 anos. Ele nasceu saudável e lindo, sempre foi cheio de saúde e inteligente, dedicado aos estudos, todos os anos era aluno nota 10.

Aos 29 anos, Dalva em uma gravidez planejada concebeu a linda Anna Lis, hoje com 11 anos, até então tudo normal apesar da cesariana ter sido complicada. Aos 7 anos de idade, Lis foi diagnosticada com um Cisto Aracnoide de 4cm na cabeça, um choque tremendo onde abalou o sistema emocional da mãe.

“Comecei a ter choros constantes, porque o cisto era grande e não sabia o que enfrentaria pela frente. Lis é uma menina corajosa, começou algumas terapias e de 3 em 3 meses, por causa da distância do município à capital, viajamos para alguns procedimentos, mas nunca conseguimos realizar de fato o tratamento com a neuropsicologa” – Relata a Bombeira Militar Dalva.

Cabo Dalva incentiva a filha “a ser o que ela quiser, basta lutar”. Foto: ASCOM/CBMAC

Anna Lis foi diagnosticada também com secreção na face causando renite e perca de audição leve, dificuldade intelectual-DI, discalculia e  Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). As surpresas acerca do diagnóstico não param por aí, nos exames com o endócrino foi diagnosticado que a Lis não tinha um desenvolvimento dos órgãos, precisando assim, tomar toda noite uma injeção para o desenvolvimento ósseo e dos órgãos internos.  

A luta da família é constante, mas nunca pensaram em desistir. Dalva trabalha no Corpo de Bombeiros em Tarauacá, há quase 8 anos e Lis ver a profissão da mãe com orgulho e diz que deseja ser bombeira como sua mãe e neuropsicóloga para ajudar quem precisa.

Mãe e Bombeira dedicada, Dalva incentiva a filha a ser o que quiser, bastando lutar. Saber que a filha quer ter a mesma profissão que a mãe a enche de orgulho.